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Literatura pingente



2016-02-29

Um texto lindo é como uma pessoa que acorda maquiada, falando sobre política assim que abre os olhos. Cansa.

Sabe aquele pingente que ficava pendurado nos puxadores de cortina de antigamente? Um tipo de frufru, vários fios juntos suspensos na borda inferior do cordão? Para que servia aquilo?

Pois a "literatura bela" é igual esse pingente. Era melhor que não existisse.

Pense em "o qual". "O qual" está, sem dúvida, entre as expressões mais inúteis da língua brasileira. Não. "O qual" não é só inútil; chega a ser pernicioso. Escreve-se "o qual" com a intenção de embelezar a frase, a língua, o texto. "Este é o país o qual amo", e, pronto, tem-se a impressão de um patriotismo definitivo, imbatível em sua pompa. Mas é justamente o contrário. O "o qual", aqui, só serve para atestar um preciosismo falso, cuja veracidade seria muito mais bem expressa pelo simples e, sempre funcional, "que". "Esse é o país que amo" é, ao mesmo tempo, complexo e sincero. Quem diz isso está ciente da dificuldade do amor. E ama mesmo. Quem ama não diz...

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Noemi Jaffe

Noemi Jaffe nasceu em São Paulo, em 1962. Publicou Írisz: as orquídeas (2015), A Verdadeira História do Alfabeto (2012), vencedor do Prêmio Brasília  de Literatura, O que os cegos estão sonhando (2012), Quando nada está acontecendo (2011), dentre outros. É doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo e crítica literária do jornal Folha de São Paulo desde 2006.




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