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Vem, vem apenas

Foto: Handall Honold



2016-09-20

Fingimento - seção Portuguesa tem curadoria de Manuel Alberto Valente

Na poesia mais recente que tem surgido em Portugal, destacam-se algumas vozes femininas, como Golgona Anghel, Filipa Leal, Margarida Ferra ou Inês Fonseca Santos.

Apresentamos hoje alguns poemas de Golgona Anghel, romena radicada em Portugal e que escreve diretamente em português.

 


*

Tudo o que não é literatura aborrece-me -

queixava-se um checo muito conhecido.

As nossas vidas, aliás, deviam acontecer sempre no futuro,

onde, no fundo, sucedem todos os romances.

O nosso estilo teria a nitidez dos tratados científicos

e a força da descrição de uma batalha -

embora os críticos tentassem

transformar tudo isto num relatório criminal

ou no argumento para um filme de Domingo à tarde.

O Eduardo Prado Coelho era capaz de fazer isso.

 

Mas é preciso fugir ao máximo dos museus de cera,

perseguir os funcionários públicos do senso comum,

evitar que as mulheres feias tenham filhos.

Aliás, é urgente matar toda a gente que tem fome.

Por isso, não me venhas com xaropes e bancos alimentares.

Não me trates as doenças.

Não levantes a mão.

Vem, vem apenas,

come as you are

- embora seja...

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Golgona Anghel
Golgona Anghel (n. 1979) licenciou-se (2003) em Estudos Portugueses e Espanhóis na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde, mais tarde, iria concluir o doutoramento (2009) em Literatura Portuguesa Contemporânea. Desde 2009, desenvolve a sua atividade de investigação no âmbito de um projeto de pós-doutoramento, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Publicou vários livros de ensaio — Eis-me acordado muito tempo depois de mim, uma biografia de Al Berto (Quasi Edições, 2006), Cronos decide morrer, viva Aiôn, Leituras do tempo em Al Berto (Língua Morta, 2013). Mais recentemente, preparou uma edição diplomática dos Diários do poeta Al Berto (Assírio & Alvim, 2012). Com uma mão numa salada de ovas de bacalhau e outra numa caneta de tinta permanente, escreve, hoje, sem trégua, espalha doenças, alimenta casos perdidos, parte os dentes dos curiosos passageiros. Tudo isto está devidamente registado: Crematório Sentimental (Quasi Edições, 2007), Cómo desaparecer (Diputación de Málaga, 2011), Vim porque me pagavam, (Mariposa Azual, 2011), Como uma flor de plástico na montra de um talho (Assírio & Alvim, 2013).



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