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Imagens do invisível



2016-10-18

Meio milênio após a primeira publicação da emblemática obra de Thomas More (1478-1535), a utopia continua a ser evocada por diversas gerações. Muito do que já se construiu em termos literários e filosóficos, a partir de sua análise e discussão, permanece como contribuição para novas reflexões. A celebração dos quinhentos anos desse livro fundamental não poderia deixar de lado a provocação do pensamento, tão cara a More. Tendo essa ideia como inspiração e aspiração, a Revista Pessoa provocou alguns nomes da literatura brasileira para problematizar o “lugar” da utopia no mundo contemporâneo. Eles aceitaram o desafio. Acompanharemos neste ano as discussões de escritores de norte a sul do País sobre essa questão. Com a palavra, o escritor português José Luís Peixoto.

Nascido em Galveias, Portugal, José Luís Peixoto estudou línguas e literaturas modernas na Universidade Nova de Lisboa. Como autor de ficção, consagrou-se em 2001 com o Prêmio José Saramago, atribuído ao romance Nenhum olhar. No Brasil, Peixoto já figurou entre os finalistas do prêmio Portugal Telecom e Galveias (Cia das Letras), romance de 2015, é semifinalista do Prêmio Oceanos. Suas obras foram traduzidas para mais de vinte idiomas.


Revista Pessoa - Você acredita na utopia (de um modo geral) como possibilidade de melhora da sociedade, como alternativa ao instituído?

José Luís Peixoto: O conceito de utopia é muito necessário. Ao longo do tempo esse conceito foi politicamente implicado com significados variados e até pejorativos, mas eu sinto que é um conceito necessário, pois nos dá uma direção, um horizonte para construirmos algo diferente do estabelecido, algo ideal. Todos precisamos de uma direção, e efetivamente a direção que menos vai nos onerar é aquela em que os nossos valores estejam protegidos de...

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Paula Fábrio

Mestre e doutoranda em literatura pela USP, colabora em diversos veículos. Publicou Desnorteio (Patuá, 2012), romance vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria melhor livro autor estreante + 40 anos, e Um dia toparei comigo (Foz, 2015). Além de ministrar oficinas de escrita criativa, a autora trabalha no roteiro de seu primeiro longa-metragem. Na revista Pessoa, ela vai coordenar a seção Boca do Inferno, que pretende refletir, no aniversário de 500 do movimento, qual o seu lugar hoje.

 

 




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