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Todas as casas de amor são ridículas



2016-11-16

Fingimento - seção Poesia Portuguesa. Curadoria de Manuel Alberto Valente


Prefiro o ridículo de escrever poemas
ao ridículo de não os escrever.

Wislawa Szymborska


Todas as casas de amor são ridículas

Escrevo-te: uma casa. E nenhuma palavra

se reveste de tijolos, nenhuma palavra

se deposita sobre o terreno para a construção.

Uma casa deve ter placa, meu amor,

uma casa deve ser de material seguro,

não vá haver incêndios e deixar de haver


casa.


Uma casa deve. É tudo o que sei:

acrescentar verbo a esta casa que te escrevo

naquele que é de todos o mais perecível material.

Respondi assim ao empreiteiro,

quando me alertou para os perigos.

Sobretudo o perigo de ser


ridícula:


Não vai construir uma casa a escrever.


Tomei nota. Escrevi: uma casa.

Disse-lhe: sala, escritório, três quartos,

será bom para a criança ter irmãos,

se não tivesse os meus quem me reconstruiria

agora que partiste e eu escrevo: uma casa.


Todas as casas de amor são ridículas,

continuou o empreiteiro cheio de ternura por mim

e mais afecto pelo dinheiro,

regra geral, têm maus acabamentos.


Tomei nota. Escrevi: uma casa.

Abri a porta. Mandei-o sair.

Prefiro o ridículo de imaginar uma casa

ao ridículo de não a imaginar.


Escrevo-te: uma casa.

E nesse instante é começado

o fogo.



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Inês Fonseca Santos
Inês Fonseca Santos (Lisboa, 1979). Escritora e jornalista. Publicou, entre outros, o volume Regressar a Casa com Manuel António Pina, que inclui o filme As Casas Não Morrem (real. Pedro Macedo); os livros de poesia As Coisas (il. João Fazenda) e A Habitação de Jonas (il. Ana Ventura); o livro infanto-juvenil A Palavra Perdida (il. Marta Madureira). É editora e apresentadora dos programas de televisão Os Livros e Todas as Palavras (RTP3).



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