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Zumbidos na noite enorme



2017-01-02

A poeta argentina Susana Thénon registrou em verso “o zumbido de uma abelha fria na noite enorme”.

Como mostrou Griselda Pollock em diversas ocasiões, o feminismo pode ser uma espécie de abelha fria zumbindo sobre a noite enorme da História da Arte. Um modo de intervenção, de compreensão e de exposição crítica do sexismo que estrutura o campo artístico, molda o conceito de arte, a memória e a escrita históricas, os processos de canonização e os modos de visibilidade. Reflexões produzidas pelo feminismo não dizem respeito apenas às mulheres, assim como seus efeitos não podem ser reduzidos à uma simples correção histórica. O feminismo é também um método de leitura de conceitos e esquemas ideológicos que fundam, estruturam e moldam a sociedade e as formas como esta se imagina e se representa. Esses esquemas afetam tanto as ideias de autoria, de juízo estético e de sensibilidade poética quanto determinam silenciosamente a lista de obras que museus adquirem ou a indicação de curadores para a próxima Bienal de Veneza. Uma mudança de paradigma no campo da história da...

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Laura Erber

É escritora, artista visual, professora do departamento de Teoria do Teatro da UNIRIO e do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da mesma universidade. Autora dos livros de poesia Os corpos e os dias (Editora de Cultura, 2008) e A Retornada (Relicário, 2017), do romance Esquilos de Pavlov (Alfaguara, 2013) e dos infantis Nadinha de nada (Companhia das Letrinhas, 2016) e O incrível álbum da pulga Picolina, em parceria com Maria Cristaldi (Peirópolis, 2014). Traduziu as 23 cartas a um destinatário desconhecido de Ghérasim Luca (Carnaval Press, 2016) e realizou exposições na Fundação Miró, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Centre International D'Art et du Paysage de Vassivière, Jeu de Paume, Le Fresnoy, Maison Européenne de la Photographie, Skive Ny Kunstmuseum, entre outros. Em 2015 criou a editora digital Zazie Edições voltada para teoria e crítica de artes.

 

 




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