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Morrer pela primeira vez

Foto de Alves Gaspar (wikicommons). Zoológico de Lisboa



2017-05-01

Regressando quase trinta anos depois às fotografias que dela restaram, a excursão fotográfica do meu ser de sete anos ao Jardim Zoológico revelou-se-me grotesca e sombria. Imagem atrás de imagem desse rolo etéreo e desbotado, constato que os quadros de vida selvagem me atraíram menos do que os epitáfios sinceros a cães e cadelas defuntos

 

Quando eu julgava que os jardins zoológicos eram um conto de fadas, visitei o Zoológico de Lisboa, numa visita de estudo. Corria o ano de 1989. Frequentávamos a segunda classe. Mentiria se dissesse que recordo com nitidez esse passeio, mas lembro-me de nada me ter impressionado tanto quanto o cemitério de animais, no qual se entrava atravessando um tapume situado num canto do meu passado. Nunca tinha visitado um cemitério. As campas dos cães e dos gatos estavam dispostas numa escadaria de betão que desembocava numa vala de cimento, impedindo os visitantes de se aproximarem muito. Segundo a professora primária, deveríamos fazer silêncio em sinal de respeito.

Levava comigo uma máquina fotográfica descartável.

Regressando quase trinta anos depois às fotografias que dela restaram, a excursão fotográfica do meu ser de sete anos ao Jardim Zoológico revelou-se-me grotesca e sombria. Imagem atrás de imagem desse rolo etéreo e desbotado, constato que os quadros de vida selvagem me atraíram menos do que os epitáfios sinceros a cães e cadelas defuntos. Disparei vinte e duas...

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Djaimilia Pereira de Almeida
Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda em 1982. Estudou Teoria da Literatura na Universidade de Lisboa. Arrebatou a cena literária portuguesa com "Esse cabelo" (Teorema/Leya, 2015), seu primeiro livro. Vive em Lisboa.



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