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O risco do bordado

Foto de Earl



2017-06-09

Enredo é interessante, mas sua unidade se mostra um pouco forçada

 

 “Deus é que sabe por inteiro o risco do bordado”, diz o médico Alcebíades enquanto narra seu encontro com Xambá, o valentão que vai aparecer somente na última parte do romance de Autran Dourado. Quanto ao escritor-personagem João, ao terminar o médico sua história, percebe que “ia juntando numa só imagem as figuras nevoentas” de seus parentes que formavam a “Constelação da Dor”.

As duas citações evidenciam o artifício usado pelo escritor para dar unidade à narrativa. Mas é uma unidade por demais factícia, incapaz de justificar o protagonismo de Xambá na última parte do livro.

O risco do bordado (1970) começa bem, com o relato do primeiro encontro de João, ainda criança, com uma prostituta que povoava seus sonhos eróticos. O estilo do narrador é fluente, traduzindo as conquistas do escritor em termos daquela naturalidade que incorpora os cacoetes da linguagem provinciana, quase ainda sertaneja, sem no entanto resultar numa oralidade fabricada. A matéria é claramente autobiográfica, como indica a epígrafe de Mark Twain escolhida para o pórtico do romance.

“Nas vascas da...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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