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Eu, goleira

Foto de Alvimann



2017-07-07

Li, esses dias, um ensaio interessante da Elena Ferrante chamado “O livro de ninguém”, publicado na coletânea Frantumaglia. Nele, a autora observa como tendemos a construir outro livro a partir daquele que nos lembramos de ter lido. Ferrante fala da impressão que tem de certas obras, cujas ideias centrais – na memória dela – permeiam o livro inteiro, e do susto que leva quando vai procurar por este ou aquele trecho e se dá conta de que aquilo que tanto a marcou cabe em poucas linhas. É o susto do Ciccio, em O irmão alemão, do Chico Buarque, quando, folheando romances já lidos, descobre que recorda “apenas fragmentos de suas narrativas, nomes de personagens, personagens trocadas de livros, frases soltas, lampejos, rescaldos de um sonho.”

Ferrante e Buarque têm razão. A memória é uma peneira. Apesar do saldo duvidoso da nossa convivência com um livro, continuo acreditando que uma close reading, ou leitura detida, é a chave do entendimento da obra, e ela precisa partir do maior para o menor; isto é, de uma...

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Alison Entrekin

Alison Entrekin é tradutora literária australiana radicada no Brasil. Verteu para o inglês Cidade de Deus, do Paulo Lins, O filho eterno, do Cristovão Tezza, Perto do coração selvagem, da Clarice Lispector e Budapeste, do Chico Buarque, entre outros. Trabalha atualmente na tradução de Grande SertãoVeredas, de Guimarães Rosa, com patrocínio do Itau Cultural.




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