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A viuvinha

Foto de Pennywise



2017-07-15

Bom lugar para se estudar os rudimentos da forma narrativa

 

A fórmula é a do folhetim, com suas surpresas óbvias salpicando o enredo. Mas o escritor ainda não tinha desenvolvido aquela sua invencível prolixidade. Por isso A viuvinha (1857), publicado no mesmo ano que O guarani, está mais para as dimensões e o andamento de Cinco minutos (1856), conquanto lhe seja ainda inferior.

O narrador é o mesmo daquele livro inicial de Alencar. A destinatária também é sua prima, a quem ele escreve mais uma longa carta, desta vez contando a história de Jorge e Carolina. O enredo poderia até ser surpreendente, se o escritor dispusesse da retórica necessária e soubesse dosar o tempo narrativo de modo a não precipitar os fatos. Mas o livro vai mesmo aos atropelos, tanto que entre o final do capítulo 9º e o início do 10º se passam subitamente cinco anos, assim como da passagem de outro ano se dá conta em apenas uma linha do XV.

O drama desse casalzinho lembra o teatro mais rudimentar, quase circense, pela rapidez da ação e pela proporção relativa...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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