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O grande mentecapto



2017-11-10

Aventuras de Viramundo são contadas em estilo leve e prazenteiro

 

Fernando Sabino arriscou-se a escrever um segundo romance mais de duas décadas depois de ter publicado O encontro marcado (1956). E o fez num registro próximo da crônica; certas passagens de O grande mentecapto (1979) estão no limiar daqueles produtos ligeiros produzidos para consumo imediato, ainda que sigam os modelos da literatura culta.

Mas essas passagens não resultam em qualquer desdouro para o livro. Ao contrário, ele é uma daquelas obras que conseguiram o apreço do grande público sem fazer concessões ao lugar-comum. O estilo de Sabino, quase sempre lucidamente apurado, tem a marca da escrita por prazer – aquele prazer imediato de ler um texto espirituoso e cheio de surpresas, que pouco se prestaria às leituras dificultadoras derivadas do famoso ensaio de Barthes.

Ler O grande mentecapto é, antes de mais nada, gostoso. Seu protagonista, Geraldo Viramundo, é uma mistura de Macunaíma e Dom Quixote, e isso já diz muito. Se o enredo se conclui por um episódio que esbarra na tragédia, essa é apenas uma mudança de tom que repõe...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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