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O limite do empoderamento é o poder

Cena do filme Bixa Travesti



2018-03-19

 

No Brasil, não existe tradição de compartilhar o poder, e menos ainda de conviver com opiniões dissidentes. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Quem insiste em contestar esse estado das coisas, corre o risco de ser morto.

 

Esta coluna principiou como uma reflexão a partir de dois filmes brasileiros recentes. A intenção era tecer algumas críticas conceituais ao termo empoderamento, onipresente como categoria teórica e palavra de ordem desde a década de 1990. Porém, tais ponderações vão ter que aguardar momento propício. Os eventos da última semana atropelam as discussões e forçam o debate para um terreno cruento. Nada mais ilustrativo do título deste texto do que a execução de Marielle Franco. A vereadora reunia em sua pessoa quatro condições marginalizadas no Brasil – mulher, negra, gay, nascida e criada na favela  – características que lhe conferiam legitimidade para falar em nome dos setores mais despossuídos da sociedade. Sua atuação política extrapolou os limites estritos da vereança carioca e mesmo do partido ou dos projetos que defendia, conforme evidencia a comoção nacional provocada por sua morte. Com seu inegável carisma, Marielle vinha se tornando rosto e voz da luta pelo empoderamento de minorias oprimidas. Seu assassinato brutal a transforma em símbolo de outra causa ainda mais...

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Rafael Cardoso

É escritor e historiador da arte, PhD pelo Courtauld Institute of Art (Londres). Seu livro mais recente é O Remanescente, publicado em 2016 pela Companhia das Letras e traduzido para alemão (S. Fischer) e holandês (Nieuw Amsterdam). É autor de mais três livros de ficção e co-roteirista do longa-metragem Maresia (dir. Marcos Guttmann, 2016). É também autor de diversos livros sobre história da arte e do design no Brasil, incluindo Design para um mundo complexo (Cosac Naify, 2012). Atua ainda como curador independente, responsável, entre outras, pelas exposições Do Valongo à Favela: Imaginário e periferia (Museu de Arte do Rio, 2014). E colaborador do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mora atualmente em Berlim. Fotografado por Patricia Breves.




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