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Você ainda vai ouvir falar delas

Foto de Milkovi



2018-04-01

Em abril estreia a minha nova coluna na Revista Pessoa sobre as novas vozes femininas que vão fazer a literatura brasileira.

Outro dia o Henrique Rodrigues (escritor e organizador do Prêmio SESC de Literatura) comentou comigo que só 30% dos inscritos são mulheres. Fiquei surpresa, não imaginava essa desproporção. Pensei logo na pesquisa coordenada pela professora Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UNB), o estudo mais detalhado feito até agora sobre representação na literatura e na narrativa brasileira contemporânea, e seus números mais recentes confirmam as estatísticas do Sesc, 73,7% dos escritores publicados entre 2005 e 2014 são homens.

Será que elas têm mais dificuldade em terminar um romance? Menos incentivo? Menos recursos financeiros? Menos tempo livre?  Ou menos certezas sobre o seu trabalho? Imagino que talvez todas as opções anteriores. Porém, uma certeza eu tenho, a de que as mulheres estão escrevendo grande literatura, basta olhar em volta. E é também o que vejo, cada vez mais, nas minhas oficinas de romance.

E então é das mulheres que eu quero falar, das mulheres que estão começando agora, que estão terminando o primeiro livro, ou acabaram de publicar. Das mulheres que ainda não caíram nas graças do mercado ou da mídia. Quero falar delas porque são livros incríveis, porque são escritoras de grande talento, porque eu tenho certeza, elas estão só começando a aparecer. E você ainda vai ouvir falar, e muito, delas!

 



Carola Saavedra

É autora dos romances Toda terça (2007), Flores azuis (2008), Paisagem com dromedário (2010), O inventário das coisas ausentes (2014) e Com armas sonolentas (2018), todos pela Companhia das Letras. Seus livros foram traduzidos para o inglês, francês, espanhol e alemão. Está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros escolhidos pela revista Granta. É doutora em Literatura Comparada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, professora e pesquisadora de Literatura e Estudos Culturais no Instituto Luso-Brasileiro na Universidade de Colônia. Sua pesquisa atual, sobre arte e literatura indígena no Brasil, é parte do projeto “O pensamento das margens: arte e literatura indígena e afro-brasileira”, financiado pela Fundação Thyssen. Acaba de lançar o livro de ensaios O mundo desdobrável: ensaios para depois do fim (Relicário 2021).




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