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Mad Maria

Imagem: Danna Merril.Autoridades em visita ao trecho concluído da ferrovia Madeira-Mamoré



2018-04-13

Na história romanceada de uma ferrovia, o Coração das Trevas brasileiro

 

Ressalvado o desnível abissal dos estilos – pois Márcio Souza escrevia num tempo em que se tornava permissível desconhecer regência, pronomes oblíquos etc. –, Mad Maria (1980) é uma espécie de modesta versão amazônica de Os sertões (1902), de Euclides da Cunha. Nascido em Manaus, Souza aprofunda nesse livro que é também o nosso Coração das trevas a abordagem crítica da colonização (melhor se diga: pilhagem) da floresta equatorial, seu tema por excelência desde o trabalho como roteirista, em que, por exemplo, adaptara para o cinema o romance A selva (1930), do português Ferreira de Castro.

O título é uma metonímia, como também a própria abordagem dessa epopeia do capitalismo selvagem que foi a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, na fronteira do Brasil com a Bolívia. O projeto, esboçado ainda na época do Império, foi concretizado no início do século XX, quando uma emblemática concorrência fraudulenta o entregou a Percival Farqhar, protótipo e personificação dos negócios transnacionais estadunidenses.

Mad Maria foi o apelido dado pelos funcionários americanos à...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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