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Notas sobre a fortuna crítica de Hilda Hilst

Hilda Hilst. Acervo Instituto HH



2018-06-01

Quando estava com Hilda em sua casa, numa das raras vezes em que fui visita-la pela manhã, ela me disse que era estranho começar a ser lida e reconhecida apenas naquele momento, quando já estava no fim da vida. Eu observei ironicamente que, para alguém que, como ela, acreditava na eternidade, o tempo de uma vida não era nada. Foi quando ela me olhou diretamente nos olhos, obrigando-me a ficar sério, e me perguntou: “mas eu acredito mesmo na eternidade, Alcir?” E continuou a me olhar, querendo arrancar de mim alguma palavra definitiva ou secreta a respeito da verdade de sua crença. Obviamente, só pude ficar ali, atrapalhado, tentando retomar o ritmo usualmente divertido do dia ao lado dela.

 

Esta nova totalização dos dados levantados por Cristiano Diniz, em continuação ao trabalho admirável que ele tem feito no Centro de Documentação Cultural “Alexandre Eulalio” junto ao acervo pessoal de Hilda Hilst, é realmente muito abrangente e nos diz muito sobre o que aconteceu com a recepção da autora nos últimos anos. A minha dificuldade inicial diante da evidência acachapante que ela proporciona não é de interpretação, mas, quase ao contrário, de limitá-la: são tantos os dados fornecidos que é preciso disciplina para escolher por onde começar, selecionar o que carregar primeiro, e depois disso conseguir avançar com todos eles nas mãos e na cabeça sem derrubar tudo pelo caminho.

Escolho então prudentemente começar olhando mais à distância e considerar os dados da fortuna crítica a partir da totalização de seus números mais gerais. Assim, desde 1949 a 2017, último ano registrado pela pesquisa de Cristiano, foram produzidos a respeito da obra de Hilda Hilst precisos 209 capítulos e livros;...

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Alcir Pécora

É Professor Titular de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas e membro da Accademia Ambrosiana de Milão. Entre outras obras, escreveu Teatro do Sacramento (1994); Máquina de Gêneros (2001) e Rudimentos da Vida Coletiva (2002). É organizador de A Arte de Morrer (1994), Escritos Históricos e Políticos do Padre Vieira (1995), Sermões I e II (2000-2001); As Excelências do Governador (2002); Lembranças do Presente (2006); Índice das Coisas Mais Notáveis (2010); Por que Ler Hilda Hilst (2010). Editou as Obras Reunidas de Hilda Hilst (2001-2008), de Roberto Piva (2005-2008), e as Obras Teatrais de Plínio Marcos (2017). 




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