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João Barrento apresenta vários aspectos da figura de um prodigioso Goethe

João Barrento. Por Bruno simão



2018-06-01

 

Se Barrento nos dá a ver o lado profundamente narcísico da sua personalidade (num auto-retrato, Goethe afirma nunca ter conhecido um homem mais presunçoso do que ele próprio) que tantas vezes desagradou aos seus contemporâneos, todavia traça dele um retrato justo e grandioso, mostrando-o como uma personagem central e inigualável no seu tempo, cuja herança se inscreveu no pensamento e na literatura europeias, atraindo artistas, romancistas e poetas de todos os países, que o procuravam em Weimar.

 

Qualquer aproximação a um génio multiforme como Goethe é uma tarefa de risco. Não poderíamos classificá-lo senão como um dos grandes clássicos da civilização europeia, numa linha definida pelos grandes mestres como Sófocles, Homero, Dante, Shakespeare ou Camões. Se a sua obra confunde o cânone na sua época, tal acontece pela sua universalidade e complexidade, tendo encontrado na dispersão um modo único para apresentar o espírito do seu tempo. Demasiado vasta para se concentrar numa produção única e clássica, ela configura em si a imaginação poética de um homem onde se cruzam a pluralidade de valores e uma ambiguidade de...

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Maria João Cantinho

Nasceu em Lisboa em 1963. Passou a infância em Angola e regressou em 1975 a Portugal. Doutorada em filosofia contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa, é actualmente professora do secundário. Tem publicada obras de ficção (5 livros), de poesia (4 livros) e de ensaio (2 livros). Foi vencedora do Prémio Glória de Sant’Anna pelo seu livro de poesia Do Ínfimo (Coisas de Ler, 2016) e nomeada finalista pelo Pen Clube português pela mesma obra. Publicou recentemente Asas de Saturno (editora Exclamação, 2020) e Walter Benjamin: Melancolia e Revolução (Editora Exclamação, 2019). Tem colaborado regularmente com diversas revistas como JL, Revista Colóquio-Letras e publicações académicas. É investigadora auxiliar do CFUL (Universidade de Lisboa) e do Centre d’Études Juives, na Sorbonne IV. É membro do PEN Clube português (tendo pertencido à direcção entre 2009-2019), da APE e da APCL (Associação Portuguesa de Críticos literários). Fotografada por Vitorino Coragem.




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