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A saudade já era

Foto de Jack Finnigan



2018-08-06

As línguas se tocam, se emprestam, se surrupiam. Não dá para ter mesmo exclusividade em nada. É claro que os espanhóis sentem saudade desde há séculos, mas por que será que tomaram nossa palavrinha emprestada para dizer o que sentem? Ou só sente saudade quem pode expressá-la?

 

De vez em quando, me irrito com uma palavra. Do mesmo jeito que posso me encantar por um vocábulo, por seus dotes estéticos e sonoros, posso me sentir irritada, ludibriada e enganada. E às vezes só me dou conta disso quando o comparo a uma palavra de mesmo sentido ou de sentido aproximado, mas em outra língua. Exemplos disso existem em profusão, mas vou pegar aqui alguns da nossa hermana, a língua espanhola.

Minha primeira ocorrência de palavra irritante, justo porque me parece imprópria, é guarda-chuva. Desde pequena, lembro-me de achar que não era nem um pouco devido chamar aquele objeto, geralmente de cor preta, de guarda-chuva, simplesmente porque ele não guarda. Bem ao contrário, parecia-me que ele repele, isola. Então eu pensava: por que, diabos, essa palavra ficou assim? Quando aprendi que a palavra era mais apropriada em espanhol – paraguas –, assaltou-me logo uma inveja castelhana que eu jamais pude resolver sozinha. De que adianta só eu passar a...

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Ana Elisa Ribeiro

Ana Elisa Ribeiro nasceu em 1975, em Belo Horizonte, cidade onde vive. É autora de livros de poesia, conto, crônica e literatura infantojuvenil, por diversas editoras brasileiras. Bacharel e licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde também se formou mestre e doutora em Estudos Linguísticos.É professora e pesquisadora nos campos da Linguística Aplicada e da Edição, no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.




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