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A saudade já era

Foto de Jack Finnigan



2018-08-06

As línguas se tocam, se emprestam, se surrupiam. Não dá para ter mesmo exclusividade em nada. É claro que os espanhóis sentem saudade desde há séculos, mas por que será que tomaram nossa palavrinha emprestada para dizer o que sentem? Ou só sente saudade quem pode expressá-la?

 

De vez em quando, me irrito com uma palavra. Do mesmo jeito que posso me encantar por um vocábulo, por seus dotes estéticos e sonoros, posso me sentir irritada, ludibriada e enganada. E às vezes só me dou conta disso quando o comparo a uma palavra de mesmo sentido ou de sentido aproximado, mas em outra língua. Exemplos disso existem em profusão, mas vou pegar aqui alguns da nossa hermana, a língua espanhola.

Minha primeira ocorrência de palavra irritante, justo porque me parece imprópria, é guarda-chuva. Desde pequena, lembro-me de achar que não era nem um pouco devido chamar aquele objeto,...

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Ana Elisa Ribeiro

É mineira de Belo Horizonte, onde trabalha e reside. É professora e pesquisadora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, onde atua na área de Linguagem e Tecnologia, em três níveis de ensino. Publicou mais de trinta livros para crianças, adolescentes e adultos, sendo os mais recentes os poemários Álbum (Relicário, 2018) e Dicionário de Imprecisões (Impressões de Minas, 2019). É colunista do Digestivo Cultural e da Revista Pessoa. Fotografada por Sérgio Karam.




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