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O passado no presente e questões de preservação: a réplica de Chauvet

Foto: Réplica da caverna de Chauvet. Acervo da autora



2018-09-09

A réplica é uma megainstalação contemporânea que celebra o olhar e os gestos humanos em seus primórdios. Ela oferece, a quem estuda as primeiras figurações feitas por mãos humanas, possibilidades e pontos de reflexão que não cabe aqui enumerar. Mas para quem se interessa pelo futuro dos museus em nossa época de devir turístico, ela é um fenômeno a ser considerado. As réplicas de Lascaux têm sido um sucesso de visitação na França há anos; depois da inauguração de Chauvet, em 2015, uma nova Lascaux foi aberta em 2016. Por ironia, as réplicas também sofrem desgaste e, de tempos em tempos, são interditadas ao público para restauração. Nada escapa à supremacia do tempo.

 

Uma das experiências mais memoráveis que realizei recentemente foi uma visita, em outubro de 2016, à réplica da caverna de Chauvet, na França. Como pesquisadora independente de pinturas pré-históricas, sem ser porém arqueóloga de formação, o acesso à caverna verdadeira é muito difícil. Decidi então conhecer a réplica, sem grandes expectativas. Por ocasião de um seminário em Aix-en-Provence, perguntei a um professor, que havia estado lá pouco antes, se valia a pena. “Parece improvável, mas há um momento lá dentro em que esquecemos estar no interior de uma réplica”, respondeu.

Tinha razão: também experimentei aquela emoção estranha. Hipnotizados pelas imagens in situ, comovemo-nos e, ao despertarmos da breve vertigem e constatarmos de novo que se trata tão somente de uma réplica, não há sensação de perda ou de farsa, pois é siderante o espetáculo de uma homenagem feita por uma cultura à outra - como uma troca de olhares entre duas eras radicalmente distantes e distintas. As imagens dos mamutes, dos...

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Laura Erber

É escritora, artista visual, professora do departamento de Teoria do Teatro da UNIRIO e do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da mesma universidade. Autora dos livros de poesia Os corpos e os dias (Editora de Cultura, 2008) e A Retornada (Relicário, 2017), do romance Esquilos de Pavlov (Alfaguara, 2013) e dos infantis Nadinha de nada (Companhia das Letrinhas, 2016) e O incrível álbum da pulga Picolina, em parceria com Maria Cristaldi (Peirópolis, 2014). Traduziu as 23 cartas a um destinatário desconhecido de Ghérasim Luca (Carnaval Press, 2016) e realizou exposições na Fundação Miró, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Centre International D'Art et du Paysage de Vassivière, Jeu de Paume, Le Fresnoy, Maison Européenne de la Photographie, Skive Ny Kunstmuseum, entre outros. Em 2015 criou a editora digital Zazie Edições voltada para teoria e crítica de artes.

 

 




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