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Corrigir e comentar: uma travessia

Foto de Joanna kosinska



2018-10-20

Por que prefiro não dizer que vou corrigir? Porque nem tudo o que marco é erro. Porque a maior parte do que aponto é recondução, é ajuste, é sugestão até. Porque grande parte dos aprendizes de produção textual com os quais lido está em busca de um comentário sobre o que eles escreveram ou arriscaram escrever. Um comentário real, dialogal, uma pergunta, algo que os perturbe ou que os faça reavaliar, por si, os textos que escreveram.

 

Corrigir é o termo que a gente usa quando algo está errado. Usa-se corrigir para texto, para tudo o que é desvio, até para gente. Nos meus tempos de menina – e eu nem fazia o tipo levada da breca –, era comum ouvir que a moçadinha estava precisando levar um corretivo. Valia para situações menos e mais violentas. E lá pelas tantas, depois da vida profissional estabelecida, nós, professores de língua portuguesa, usamos frequentemente a expressão corrigir textos ou corrigir redação, para uma prática diuturna da nossa profissão.

Pois bem: eu me incomodo muito quando escapole um neste fim de semana, vou corrigir redação dos meus alunos. Não gosto. Engulo. Recolho a língua. E ficava meio pensativa com isso, imaginando algum trauma de infância na escola. Nada. Não me lembro de nada muito chocante enquanto eu estudava os anos fundamentais ou médios. A tal da tinta vermelha da caneta da professora (geralmente foi uma mulher) não me causava qualquer espanto...

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Ana Elisa Ribeiro

Ana Elisa Ribeiro nasceu em 1975, em Belo Horizonte, cidade onde vive. É autora de livros de poesia, conto, crônica e literatura infantojuvenil, por diversas editoras brasileiras. Bacharel e licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde também se formou mestre e doutora em Estudos Linguísticos.É professora e pesquisadora nos campos da Linguística Aplicada e da Edição, no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.




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