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Releituras de Orides Fontela, agora

Foto: Orides Fontela. Divulgação



2018-10-22

 

A poesia de Orides nos fala, enfim, de um luxo que é também uma carência propriamente humana, se o compararmos ao instinto nos outros animais. Ela nos fala do desejo que interroga e hesita, para pra pensar e procura sentidos além das necessidades de sobrevivência. Afinal humana é a capacidade de desejar que se estende além do necessário e do contingente, e quer tocar os limites do dizível.

 

Escrevo entre a ameaça inominável na política e o incêndio que, entre livros e outras preciosidades, destruiu vestígios de línguas extintas, emudecendo um pouco mais a todos. Quero então iniciar esta “Leitura insistente” insistindo numa data: vinte anos da morte de Orides Fontela no próximo 4 de novembro. Momento oportuno para reler a poeta que nasceu em 1940, numa família operária de São João da Boa Vista, no interior do estado de São Paulo, morreu (como viveu) na mais completa pobreza, aos 58 anos, e entretempos construiu uma obra poética que instiga, irriga e inerva, abrindo ainda hoje muitos caminhos. Insisto assim no kairós desta leitura, para usar a palavra que Orides soube fazer sua:

 

Kairós

 

Quando pousa
o pássaro

quando acorda
o espelho

quando amadurece
a hora

 

É a independência de seu pensamento poético que torna a obra de Orides altamente política nesse momento de eclipse da capacidade reflexiva de muitos. Entenda-se bem: sua poética nunca foi engajada ou militante, ela não está a “serviço...

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Patrícia Lavelle

É professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, atuando no Programa de Pós-graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Doutora em filosofia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde morou entre 1999 e 2014, tem livros de ensaios publicados na França e no Brasil, além de traduções do francês e do alemão. Como poeta, publicou Migalhas metacríticas (7Letras, coleção Megamíni, 2017) e Bye bye Babel (7Letras, 2018). Bye bye Babel obteve a primeira menção honrosa do Prêmio Cidade de Belo Horizonte, edição de 2016.




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