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Imprevisão

Foto: Tanques em Brasília, após golpe militar de 1964. Arquivo Público, Senado-DF



2018-11-07

No cinquentenário do AI-5, quando o Brasil flerta abertamente com o autoritarismo e parece não saber que rumo tomar, Ronaldo Pelli Jr. relaciona a produção literária brasileira contemporânea sobre a ditadura militar e o papel da literatura em períodos sombrios.

 

A literatura pode nos apontar alguns caminhos. Mais que fornecer respostas a todas as questões, ela preenche sinestésica ou imageticamente algumas das lacunas deixadas ao longo do tempo, seja pela forte censura que é uma das nossas marcas históricas mais perenes (mesmo em governos ditos democráticos), seja por uma aversão a enfrentar as curvas mais acentuadas da nossa trajetória acidentada. Pois, como já disse Lygia Fagundes Telles, uma das “funções” do escritor é “ser testemunha do seu tempo e da sua sociedade”

 

“Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos.” O famoso anúncio meteorológico estampado discretamente no alto à esquerda da capa do “Jornal do Brasil” de 14 de dezembro de 1968 fornecia uma imagem poética bem precisa das expectativas quanto aos rumos do país a partir daquela data. No dia anterior, uma sexta-feira 13 – mais uma data com dupla interpretação dessa ditadura que foi instaurada num Primeiro de Abril –, o governo militar, por meio do general e então presidente Arthur da Costa e Silva, havia decretado o quinto e mais duro Ato Institucional do regime que retirou à força liberdades, perseguiu ferozmente opositores, calou com violência vozes dissonantes, prendeu, matou, torturou, esquartejou – às vezes com requintes de puro sadismo. Era o golpe no golpe, o escancaramento do autoritarismo: a ditadura saía do armário. Do outro lado da capa do jornal dirigido por Alberto Dines, ainda no topo, outra piscadela...

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Ronaldo Pelli Jr.

É escritor, jornalista, roteirista e mestre em filosofia. Foi finalista do prêmio Rio 2017 de literatura na categoria Novo Autor Fluminense com o romance "Maquinação", ainda inédito. Já passou por várias redações de jornais e publicou contos em A primeira pessoa (Editora Autografia, 2014) e a novela AUTOASSASSINATO (Editora Autografia, 2014).




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