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Perspectivas de leitura entre dois antipássaros

Foto: Donizete Galvão. Reprodução



2019-01-06

Apesar das dificuldades em que a poeta se encontrava no final de sua vida, ameaçada de despejo e de não ter mais onde morar, seu último livro continua a recusar todo elemento autobiográfico, inscrevendo-se numa linhagem rigorosamente não confessional da poesia brasileira pós-modernista, aparentada à anti-lira cabralina. Entretanto, Teia e em particular a série de textos que “O Antipássaro” inicia e nomeia, encontra matéria na dureza concreta e cotidiana da vida. Mas nem por isso deixa de ser poesia do pensamento, e até releitura.

 

Essa leitura d’O Antipássaro, livro póstumo de Donizete Galvão cuidadosamente editado por Paulo Ferraz e Tarso de Melo, tem lugar entre dois poemas que li anteriormente e de certo modo a prefiguram e predispõem, funcionando como um enquadramento. O primeiro está sem dúvida na origem da série que compõe o volume. É “O Antipássaro” de Orides Fontela, que dá nome a uma seção de Teia, seu último livro, e contém todo um programa que a poética do Antipássaro de Donizete desenvolve e radicaliza, isto é, reinventa. O segundo é “Talvez você falasse”, poema de Quase todas as noites que Simone Brantes dedica ao amigo morto. Insistindo afetivamente mais na ausência concreta do homem do que na do poeta, este último ancora o corpus textual que a morte limita no corpo singular e material que o produziu. Entre o poema de Orides – leitura prévia do poeta – e o de Simone, homenagem póstuma a ele, no interior da moldura formada...

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Patrícia Lavelle

É professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, atuando no Programa de Pós-graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Doutora em filosofia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde morou entre 1999 e 2014, tem livros de ensaios publicados na França e no Brasil, além de traduções do francês e do alemão. Como poeta, publicou Migalhas metacríticas (7Letras, coleção Megamíni, 2017) e Bye bye Babel (7Letras, 2018). Bye bye Babel obteve a primeira menção honrosa do Prêmio Cidade de Belo Horizonte, edição de 2016.




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