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Leituras que se cruzam nos jardins de Ana Martins Marques

Na foto: Ana Martins Marques. Por Rodrigo Valente



2019-03-08

Se os temas feministas ou ligados à representação do corpo feminino tem uma inegável força de contestação, há também uma discreta, mas importante política de gênero em obras como as de Lu Menezes, que já comentei nesta coluna, Josely Vianna Baptista, ou Ana Martins Marques, para citar apenas algumas. Esta política está justamente em ocupar um lugar que não nos é reservado pelo senso comum e com o qual não somos espontaneamente associadas, mas que na poesia brasileira contemporânea também é (sobretudo) feminino: o das poéticas do pensamento.

 

O que significa dizer que uma mulher não escreve “como mulher” ou não produz uma “poesia feminina”? A questão, que se abisma em perplexidades diante de estereótipos tipo “meninas de rosa e meninos de azul”, equívocos que gostaríamos de ver definitivamente ultrapassados, ressurgiu recentemente num texto de Nina Rizzi para o blog Escamandro. Nele, a poeta cutucava o clichê da literatura “água com açúcar” ou “xícara de chá” citando textos de mulheres que o contradizem ao apresentar uma imagem visceral, inconformista e combativa do universo feminino. Fiquei com vontade de interrogar ainda e problematizar, sob outro ângulo, a representação estereotipada da autoria feminina. Afinal, grande parte da poesia de hoje que leio com prazer e insistência é feita por mulheres. Entretanto, apesar de sua presença massiva em quantidade e qualidade, as poetas apenas começam, pouco a pouco, não sem dificuldades e resistências diversas, a ocupar o espaço que merecem na cena literária, conquistando prêmios e espaço na mídia.

Algumas,...

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Patrícia Lavelle

É professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, atuando no Programa de Pós-graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Doutora em filosofia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde morou entre 1999 e 2014, tem livros de ensaios publicados na França e no Brasil, além de traduções do francês e do alemão. Como poeta, publicou Migalhas metacríticas (7Letras, coleção Megamíni, 2017) e Bye bye Babel (7Letras, 2018). Bye bye Babel obteve a primeira menção honrosa do Prêmio Cidade de Belo Horizonte, edição de 2016.




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