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amor e revolução. 2

Hospital Colônia de Barbacena. Foto de Luiz Alfredo, 1961



2019-04-01

tudo sendo nesse país um processo tortuoso. uma Barbacena. um Hospício Geral. que mistura definitivamente em nós toda e qualquer conduta subjetiva – a do prazer, a do excesso, a do gozo, a do sexo. tudo isso. nas mãos do abuso. do poder. como ainda amar num país que nunca entendeu que o amor será sempre um desvio. um desvio. de conduta. de rota?

 

as violências simbólicas,
condizentes na maior parte das vezes
com as violências físicas,
modelam as subjetividades que,
não importa em qual colônia,
são, ipso facto,
parcialmente ou totalmente negadas.

Seloua Boulbina

 

 

olhe para a guerra. a guerra. há guerra por toda parte. há guerra. a guerra nos separou.

você disse que encontraríamos uma saída. mas tudo apareceu já devastado. [ele disse].

entre nós? [ela pergunta]. não sei mais. [ele responde].

talvez o tempo do amor ainda insista em tocar no ponto sobre o qual nos dissolvemos. tempo do quando ainda não podíamos ser. e nem queríamos. tudo parecendo possível e impossível. [ela...

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Ana Kiffer

É Professora da Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, Cientista do Estado pela FAPERJ e Bolsista de Produtividade no CNPq. Curadora convidada da Bienal de SP 2021. É escritora, autora dos livros Tiráspola e Desaparecimentos, Editora Garupa, 2016, A punhalada, 7Letras, 2016, Todo Mar, Urutau, 2018; colunista da Revista Literária Pessoa, pesquisadora da obra do escritor francês Antonin Artaud, vem desenvolvendo há muitos anos uma investigação sobre os diversos modos de relação entre os corpos e a escrita. Autora do livro Antonin Artaud, EDUERJ, 2016, e com Gabriel Giorgi, Ódios Políticos e Politica do Ódio, RJ: Bazar do Tempo, 2019 e Las Vueltas del ódio, BA: Eterna Cadência, 2020. Organizadora do livro A Perda de Si – cartas de A. Artaud, Rocco, 2017; e das coletâneas: Sobre o Corpo, 7Letras, 2016, Expansões Contemporâneas: literatura e outras formas, com Florência Garramuno, UFMG, 2014, entre outros artigos e ensaios.  Foi curadora, em 2020, da exposição Corte/Relação dos cadernos de Antonin Artaud e de Édouard Glissant. Para a 34ª Bienal de São Paulo. Em 2021, estreou seu primeiro romance O Canto Dela, pela editora Patuá. Fotografada por Dani Neves.




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