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Duas vezes antes

Foto: detalhe de Sísifo, de Tiziano - 1549



2019-04-13

“Duas vezes morri antes de morrer” – escreveu Emily Dickinson.

 

Sísifo chegou ao fim da linha ou ao que ele pensava ser o fim da linha. O terreno estava pedregoso, incômodo de pisar, impossível fazer a pedra continuar seu caminho. Ficou irritado, olhou em volta. Ruínas, restos, resíduos. Difícil mover-se. E precisava contornar a montanha, encontrar o bom ponto para levar de novo a pedra encosta acima. Tinha sido um castigo dos deuses, havia muito tempo. Tanto que eles já teriam se esquecido, promulgado um de seus indultos habituais. Não era uma questão de deuses, era brio pessoal. Enquanto movimentava sua pedra, esculpia as letras levei-a ao topo, para montar...

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Nilma Lacerda

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, tem publicados ensaios e artigos científicos. Professora da Universidade Federal Fluminense e também tradutora, recebeu vários prêmios por sua obra, dentre os quais o Jabuti, o Prêmio Rio e o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil. No site da revista Pessoa, na Coluna Ladrinhos, Nilma publica quinzenalmente trechos das páginas lusófonas do Diário de navegação da palavra escrita na América Latina. O texto  ganhou talhe ficcional para publicação em Mapas de viagem, volume de contos que é fruto  de um projeto de formação de leitores. Ela também contribui com crônicas sobre o universo literário.




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