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amor e revolução.4 - o fogo cairá do céu

Foto: Estrutura de zinco com marcas de tiros. Creative Commons



2019-06-07

estou todo esse tempo escrevendo a sua morte. sob os estados brutais de onde viemos. também não vivo. esta é a minha vida. mastigar o inferno em cada letra. e provocar, com sorte, o seu vômito. o amor maior, o único que conheci - escrever a sua morte. lembrando cada buraco do tiro.

 

[a vida dela foi assim. como lerão abaixo. sei que ela projetou por todas essas razões cada traço da revolução que juntas um dia fizeram. a vida dela foi assim. esmagada rapidamente. ainda era muito cedo quando um carro cinza a levou na porta de casa. sua barriga estava imensa. foi imprensada atrás. nunca saberemos como foram os seus momentos vividos na prisão. sob o estado de força maior e a concretude da tortura os corpos que sobreviveram carregam, em alguma hora do dia, o cheiro putrefato de tudo o que sofreram. uma criança corre ainda hoje da bala. a...

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Ana Kiffer

É Professora da Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, Cientista do Estado pela FAPERJ e Bolsista de Produtividade no CNPq. Curadora convidada da Bienal de SP 2021. É escritora, com livros como Tiráspola e Desaparecimentos, Editora Garupa, 2016, A punhalada, 7Letras, 2016, Todo Mar, Urutau, 2018; colunista da Revista Literária Pessoa, pesquisadora da obra do escritor francês Antonin Artaud, vem desenvolvendo há muitos anos uma investigação sobre os diversos modos de relação entre os corpos e a escrita. Autora do livro Antonin Artaud, EDUERJ, 2016, e com Gabriel Giorgi Ódios Políticos e Politica do Ódio, RJ: Bazar do Tempo, 2019 e Las Vueltas del ódio, BA: Eterna Cadência, 2020. Organizadora do livro A Perda de Si – cartas de A. Artaud, Rocco, 2017; e das coletâneas Sobre o Corpo 7Letras, 2016, Expansões Contemporâneasliteratura e outras formas, com Florência Garramuno, UFMG, 2014, entre outros artigos e ensaios.  Fotografada por Aline Macedo.




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