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O ermitão de Muquém



2015-07-01

Sim, pode haver proveito em gastar algumas horas do seu precioso tempo lendo O ermitão de Muquém (1864), o primeiro romance de Bernardo Guimarães e obra inaugural da tradição regionalista na ficção brasileira. Soterrada por grossas camadas da retórica que muitas vezes passa por linguagem literária, existe a possível leitura das afinidades ideológicas que promovem até hoje a identificação explicadora do grande sucesso de livros que, do ponto de vista artístico, pouco ou nada valem.

O romance de Bernardo é uma mistura de dramalhão circense e pregação religiosa nada convincente. Nem é cabível frisar a inverossimilhança do enredo, pois de fato...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Teoria e História Literária pela Unicamp em 2004. Publicou Questões abertas sobre ‘O alienista” (2020), Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1998), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012), Homo hereticus (2013), Deuses em desuso (2016), O teu que é mais azul (2019), O amor é um assunto imbecil (2020) e Por que não vou a Sodoma (2022). Foi resenhista de O Estado de São PauloJornal da Tarde e O Globo. Em literatura infantil, publicou Parque de impressões – Anna sofia e a poesia sem querer (2010), O casamento da bruxa com Papai Noel e Poemas em olhês e orelhês (ambos em 2019). No site da revista Pessoa, escreve resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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