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Ora, direis, ouvir Pessoas

Foto: Luis Tosta



2020-01-16

Em alguma parte, por toda a parte, ora oculta, ora manifesta,
em tudo o que está escrito existe a forma de um ser humano.* 

Virginia Woolf

 

 

Para Mirna Queiroz

 

Em desabafo e regozijo, Mirna Queiroz afirma o esforço enorme que é manter uma revista literária no Brasil e diz ter havido momentos “em que fui tomada por uma surpreendente vontade de desistir de tudo e ir plantar batatas, tão necessárias em tempos de guerra”. Mirna poderia ter aprendido a lavrar a terra, a plantar batatas. O fato é que não aprendeu a plantar nem batatas, nem hortaliças. Não sei se arriscou pôr dentro da terra semente de flor, bulbo, inutilidades alimentícias que trazem prazer (e igual nutrição) à vida. Não creio, mesmo, que tenha deitado...

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Nilma Lacerda

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, tem publicados ensaios e artigos científicos. Professora da Universidade Federal Fluminense e também tradutora, recebeu vários prêmios por sua obra, dentre os quais o Jabuti, o Prêmio Rio e o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil. No site da revista Pessoa, na Coluna Ladrinhos, Nilma publica quinzenalmente trechos das páginas lusófonas do Diário de navegação da palavra escrita na América Latina. O texto  ganhou talhe ficcional para publicação em Mapas de viagem, volume de contos que é fruto  de um projeto de formação de leitores. Ela também contribui com crônicas sobre o universo literário.




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