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Contracanto ou ode paralela



2015-06-28

I - A educação sentimental

Vibrem agora as primeiras notas da lembrança deste encontro-entrevista, com pauta dividida em duas audições, de um autor, cuja obra já dispõe de considerável reconhecimento crítico, com seus leitores. Leitores e, além disso, estudantes de literatura: graduandos, graduados, pós-graduados etc. Sendo assim, após a cantata a capella, soe este prelúdio dissonante para um figurado portrait de Evando Nascimento, o escritor – ficcionista e ensaísta – entrevisto.

Infância, adolescência e juventude algo solitárias, dedicadas à leitura intensa (“Machado de Assis, Érico Veríssimo, Dostoiévski, Jorge Amado, Drummond, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector – literatura pensante –, Proust, Thomas Mann – A montanha mágica, fascínio absoluto”) e escrita ensimesmadas, sobre as quais nos informa um Evando leitor de si, em rememoração, e, agora, simultaneamente narrador.

Em sua fala inicial, breve retrospecto (auto)biográfico intelectual, destaca-se uma questão fundamental, e que diz respeito a vários dos presentes: quando e como o escritor se torna o que é?

Seria esse o momento e o modo do encontro marcado do escritor consigo mesmo. A obtenção da resposta a essa questão seria um dos pontos altos de um romance de formação. Ainda que inescrito, supomos vivido pelo autor à nossa frente. Antes vital e de difícil resolução quando experienciada, apenas a passagem de muito tempo possibilitou que semelhante pergunta pudesse ser retoricamente refeita e, ora, em nossa presença, respondida sem maiores dificuldades.

E a resposta está associada a uma questão adicional. Por que romper com o ineditismo da composição e solfejo solitários dos anos formativos e publicar? “É fundamental, do ponto de vista da comunicação humana, passar pela prova do outro. De fato, você só se torna escritor quando publica. Enquanto não publica, você é um pretenso escritor”, assinala o autor de retrato desnatural (2008).

II - A farmácia de Platão

2004. Diários. Início da escrita esparsa que originará o ficcional (auto)retrato do autor. Dosagens verbais aleatórias periódicas, recompondo-se em escritura não delimitada. É chegada a hora de orquestrar o arranjo da dicção que virá a público sob a forma de um livro sem gênero, fecundado para muito além de um projeto específico predefinido, mas não amorfo, livre fantasia verbal – polimórfica e polifônica. “De maneira caótica e sistemática, fragmentariamente”, nasceu (fez-se obra) o objeto desnatural, fármaco sem fórmula precisa, revela-nos, cúmplice, Nascimento.

Mesmo assim, a manipulação cuidadosa pode isolar alguns dos elementos constitutivos desse complexo composto (de 2004 a 2007), veneno-remédio, rico em poemas (em verso e prosa), bem dosado de contos, crônicas (narrativas curtas de fatos metamorfoseados), notas do cotidiano datadas (sem linearidade cronológica) falsa ou verdadeiramente (ou mesmo sem datas), dotado de comentários sobre vivências diversas (como as de fruição artística, cinematográficas por exemplo) e de múltiplas adições de epigramas, microensaios, registros de diálogos – em suma, experimental panaceia-emplasto resultante de arcanos escrupulosamente laborados, como o faria um herdeiro de Derrida.

No que diz respeito aos modos de administração e indicações posológicas, as recomendações e advertências são mínimas. Até então, desconhecidas circunstâncias contraindicativas. A prazerosa fruição dos efeitos do phármakon não está condicionada ao anterior contato com o conteúdo ou prévio consumo de nenhuma das substâncias que o constituem, sob quaisquer formas ou dosagens, muito menos à identificação desses componentes ou mesmo reconhecimento de suas fontes originárias, matriciais.

Relatos testemunhais comprobatórios da eficácia literária, metafórica e/ou metonímica do medicamento no tratamento dos males associados à merencória condição humana têm sido documentados. A ação é, conforme minha experiência de leitura, no mínimo, paliativa.

III - Discurso na seção de achados e perdidos

Evando em anedota confessional. A da revelação de um inusual e inadvertido furto. O de apenas dois versos finais de um poema da escritora polonesa Wis?awa Szymborska – percebidos e identificados em resenha escrita por uma atenta leitora, a poeta Mariana Ianelli. Estão, os versos, amorosamente amalgamados (inconscientemente incorporados) a “Elos”, conto de Cantos profanos (2014). Pedem-me releitura, o conto e a singular poesia a que ele, em diálogo quase subliminar, remete.

IV - O perfeito cozinheiro das almas deste mundo

  Oswald de Andrade ainda pode ser uma espécie de admirado herói cultural para um escritor contemporâneo, “exuberante e irresponsável mestre anárquico”, como o nomeia Evando Nascimento.

Exercendo sobre o escritor influência determinante, direta – seja pela poesia ou pelos manifestos – ou intermediada pela vanguardista recepção crítico-teórica de Haroldo e Augusto de Campos, a herança oswaldiana – mais fundamentalmente a invenção e pensamento antropofágicos – tem sido, a intervalos, sempre revisitada

A emulação se dá sob perspectivas, claro, cada vez mais críticas e frutíferas a cada novo enfrentamento, tanto na criação ficcional quanto na reflexão ensaística do autor de Cantos do mundo (2011), e será explorada em seu já anunciado próximo livro de ficção, assim como o foi nos dois anteriores, por exemplo, em contos como o extraordinariamente profético “Terra à vista” (Cantos profanos) e no tragicômico “E se comêssemos o piloto?” (Cantos do mundo).

V – Dublinesca

O cenário constituído pelo presente mercado editorial e pela mais recente “vida literária”; a ação e o jogo de interesses dos editores; o meio acadêmico; a atuação da crítica; as novas mídias, sobretudo digitais, veiculadoras do texto; as relações entre leitores, escritores e preferências de leitura atuais; o debate acerca de controversas concepções do que é tido por literário hoje, entre outros temas correlacionados, não poderiam deixar de ser alvos de animada discussão e inflamados comentários em um encontro de tantos entusiastas (entre os quais, vários professores) do que alguém talvez pudesse ainda chamar de verdadeira literatura. Ou, pelo menos, “uma literatura pensante”, como diria Evando, reutilizando a expressão com que designou, no título de um de seus recentes livros de ensaios, a obra de uma das mais desafiadoras escritoras da literatura brasileira (Clarice Lispector: uma literatura pensante, 2012).

O contista foi incisivo em sua avaliação desse complexo contexto. Não deixou dúvidas quanto ao que considera “literatura de qualidade”: “aquela que tem em si mesma vasto conhecimento do universo literário”. Desse modo, destacou e criticou com franqueza a propagação favorecedora do que é frívolo, medíocre e efêmero, mas facilmente vendável e consumível, por exemplo, a saber: best-sellers temáticos (como o filão dos livros de vampiro) e oportunistas, produzidos em escrita seriada e em larga escala; ou livros escritos por ghost-writers, encomendados por celebridades instantâneas, por sua vez, atendendo demandas de editoras mais que comerciais, para citar apenas dois de uma lista numerosa de males acentuados nos nossos tempos leitores.

O escritor desnudou, assim, o modo como parte da indústria, motivada exclusivamente pelo lucro, investe desmedidamente em escrita apenas como mercadoria, em detrimento do que, sem dúvida, pode ser considerado mais duradouro e fundamental, de um ponto de vista artístico exigente e criterioso, a exemplo de um novo livro de contos do escritor Sérgio Sant’Anna.

Como forma de resistir às consequências desses poderosos mecanismos e modismos, também a meu ver, funestos à literatura contemporânea, o autor falou do efetivo exercício de sua reflexão, escrita ou exposta em palestras e congressos, em defesa dos valores do que insiste em considerar como “obra literária” – tema de sua participação no XIV Congresso Internacional da ABRALIC (Associação Brasileira de Literatura Comparada), a se realizar de 29 junho a 3 julho próximo, na UFPA, em Belém.

Comentando essa sua forma de atuação, Evando falou ainda sobre o inusitado convite que recebeu, e aceitou, para futura participação em outro simpósio literário, dessa vez, na Universidad Católica de Valparaíso, no Chile. Por que inusitado? O tema da ementa do evento é “a literatura em desaparecimento”.

Não pude me impedir de ver o ficcionista como um personagem de Enrique Vila-Matas, que, hiperconsciente, teimosa e quixotescamente, lutasse contra a morte da literatura. Como um partidário do bom, do belo e do justo literários, feito o ex-editor Samuel Riba, de Dublinesca.

VI - Consistência

Em sua apaixonada defesa de valores literários, a fala e o posicionamento, além de artístico, ético de Evando Nascimento me fizeram lembrar Italo Calvino e suas Seis propostas para o próximo milênio. Proposições infelizmente não proferidas no célebre Charles Eliot Norton Poetry Lectures – ciclo anual de conferências da Universidade Harvard, de que participaram personalidades como Stravinsky, Borges, Eliot, Northrop Frye e Octavio Paz –, devido à morte do convidado, ocorrida poucos meses antes da realização das palestras no ano de 1985.

“Leveza”, “Rapidez”, “Exatidão”, “Visibilidade” e “Multiplicidade” foram e seriam cinco das preserváveis, e a serem continuamente preservadas, características essenciais do fazer literário consequente, segundo o autor de Se um viajante numa noite de inverno. Propriedades essas que possivelmente resguardariam – e desde então já o fizeram – a existência e, por muito mais tempo, possibilitarão a sobrevivência da melhor literatura do porvir.

Na contística de Evando, são patentes cada uma dessas cinco referidas e reverenciáveis qualidades. Mas há ainda uma sexta a servir-lhe de justo adjetivo. Aquela sobre a qual Calvino não pôde escrever a última conferência que comporia as Seis propostas: “Consistência”.

Seria esse o título da última proposta. Quanto às obras de que trataria, sabe-se apenas que faria referência a Bartleby, o escrivão, de Herman Melville. E esse é o segundo motivo pelo qual mais uma outra consistente ponte pode ser conectada entre  Evando e Calvino. A predileção temática, o interesse por questões literárias fundadoras.

Em um dos contos de Cantos profanos, “Altamente confidencial”, Gabriel Arcanjo, protagonista e narrador, é um funcionário da ECT. Em dado momento do excêntrico depoimento que estranhamente é obrigado a redigir, o personagem se refere ao que denomina de “Escritório das Cartas Mortas”, ao qual, não revelarei como, seu trabalho está relacionado. Aqui, Evando e Melville cumprimentam-se, uma bela homenagem é feita, e um dos personagens mais enigmáticos da literatura ocidental é revivido e atualizado.

Na novela do escritor norte-americano, antes de ir trabalhar como copista no escritório de advocacia em que o conhecemos, Bartleby havia sido funcionário subalterno no “Departamento das Cartas Mortas”, uma repartição dos serviços postais norte-americanos, onde seu trabalho era o de manusear essas cartas e separá-las para serem lançadas às chamas.

O conto de Evando é absolutamente autônomo, a leitura dele, e muito menos sua escrita, em nada dependem da narrativa que o autor de Moby Dick escreveu, ou de que a tenhamos lido para que seja amplamente fruído. Ocorre, no entanto, que Evando faz literatura de qualidade, ou seja, “aquela que tem em si mesma vasto conhecimento do universo literário”, retomando, enfaticamente, e para finalizar, sua definição. Literatura como fonte de prazer estético, tanto mais potente quanto mais rica desse conhecimento, resultante do mais profundo diálogo entre obras e autores de inúmeras tradições incorporados ao seu cerne.


Três perguntas para Evando Nascimento, por W. B. Lemos
1. Em sua ficção, narrativas fundadoras são reescritas e atualizadas. Isso ocorre, por exemplo, em Babel revisitada, um dos contos de Cantos profanos, seu último livro, e em Edens, que integra seu livro anterior, Cantos do mundo. Qual a relevância do arcaico, do arquetípico, ou seja, de componentes primordiais em sua poética?

Penso que o que hoje chamamos de mito ou de mitologia era entendido nas culturas originárias como religião. Os gregos antigos acreditavam realmente que Zeus e Dioniso existiam, bem como os hebreus acreditavam em tudo o que é narrado no antigo Testamento. Nossas religiões atuais manterão seu prestígio enquanto houver judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, espíritas etc. que creiam em seus ídolos. Mais tarde, quando a fé nessas religiões se extinguir, passarão todas ao status de mito. Nascido num território anteriormente colonizado por uma nação europeia como a portuguesa, falando o idioma deles, direta ou indiretamente recebi uma cultura religiosa e mítica como parte do legado colonial. Também recebi, pelas mais diversas vias, elementos do fabulário autóctone, indígena, como os mitos de Tupã, Jaci e Coaraci, entre outros. Finalmente, por minhas origens baianas, tive algum contato com o imaginário africano, que migrou junto com os escravos. Tive acesso a outras fontes míticas e religiosas por meio dos livros, como as histórias árabes das Mil e uma noites, que conheci em adaptações quando criança e integralmente mais tarde numa bem cuidada tradução francesa. Do mesmo modo, tenho algumas noções de mitos do antigo Egito, da China e do Japão. Não sou especialista em nenhuma dessas culturas mítico-religiosas, mas todas me fascinam por algum motivo e, se tivesse tempo, certamente me dedicaria a pesquisá-las a fundo. Como escritor, me sinto herdeiro dessas culturas, mesmo que etnicamente não seja verdade na maior parte dos casos. A imaginação desconhece fronteiras, e tenho enorme prazer em brincar com a fantasia de outros povos. Como toda brincadeira, isso tem algo de muito irresponsável, de jocoso mesmo – esse adjetivo vem do jocus latino, que significa graça, gracejo, galhofa, divertimento, brincadeira, resultando também em jogo no português.  Ao lado desse aspecto lúdico, penso que há também algo de muito sério. O problema é que essas mitologias escondem inúmeros preconceitos sexistas, étnicos e morais. Muitas, talvez a maioria, se originam de sociedades profundamente patriarcais. Como habitante do século XXI, não posso reproduzir os valores desses mitos ao pé da letra. Assim, por meio de uma brincadeira muito séria, procuro inverter ou deslocar aqui e ali alguns dos valores arcaicos desses ícones culturais em minha poética, para utilizar seu termo. Creio que é mais ou menos isso o que acontece quando “brinco” com Babel, o Gêneses, Édipo e Coaraci em algumas de minhas histórias, que até por isso nunca são inteiramente minhas...

2. No conto Noturno (Pequena fantasia musical)”, de Cantos profanos, um narrador humano, em uma experiência de espelhamento, ao observar hipnotizado uma não nomeada, mas identificável, ave noturna, alerta a si mesmo quanto ao perigo de se transformar naquilo com que simpatiza. Em Cantos do mundo, um aquário, como que animado por uma divindade, reflete sobre sua condição existencial e mesmo sobre os aprisionantes destinos humanos. Você poderia comentar acerca das relações de sua escrita com radicais processos de despersonalização, personificação e o diversificado uso de máscaras?

Essa é uma questão extremamente complexa que não sei como explicar bem, mas sinto que ela atravessa toda minha ficção, sobretudo a que estou fazendo agora. Tenho o sentimento de que sou profundamente mimético. Toda vez que me deparo com algo de bom e belo, seja produto da natureza ou artefato humano, sinto de imediato uma grande inveja, um desejo de ter aquilo para mim. Essa compulsão é tematizada literalmente no retrato desnatural, no poema “da imitação (elogio da inveja)”. Acho a inveja uma grande qualidade quando bem aplicada, sobretudo para fins inventivos. Como as crianças, diante do que é bom e gostoso, eu digo logo “eu também quero!”. Isso faz com que sinta necessidade de imitar ou antes “emular” (para utilizar um termo antigo e ao mesmo tempo atual) aquilo com que simpatizo ou então por que sinto forte estranhamento. Pode ser um bicho, como essa ave que você cita, uma coisa, como o aquário, alguém muito diferente de mim, como o Diabo, ou até mesmo um estado, uma situação, como é o caso do paciente que não morre porque faleceram em seu lugar, no conto “Estação terminal”. De modo que tenho a impressão, a ser confirmada ou não por meus leitores, que estou o tempo todo fazendo pequenos experimentos, me aproximando furtivamente daquilo que não sou para de certo modo “roubá-lo”. Só que, ao contrário do vampiro e do antropófago, não preciso destruir o bicho, a pessoa ou a coisa mimetizada para me parecer com ela. Procuro exercitar esse meu lado camaleão pela escrita e mais recentemente pelo desenho. De algum modo, me hibridizo, me misturo e até me transformo momentaneamente naquilo que me fascina. O risco dessa brincadeira é, ao contrário de Alice, passar em definitivo para o lado de lá do espelho, ou seja, não voltar a meu estado anterior... É arriscado, mas vale a pena. A capacidade de metamorfose é um dos talentos que alguns autores têm, não sei se muitos, e que procuro desenvolvê-la com meus parcos recursos. No fundo, tudo parte do desejo de ser ou virar outro, outra coisa, menos demasiadamente humana. Tal seria o que nos Cantos profanos chamei de estética da emulação e que funciona de vários modos, inclusive em relação à tradição literária e artística. Não sei aonde esse processo inventivo vai dar, mas é o único que no momento me interessa, por bem ou mal.


3. Retrato desnatural: (diários - 2004 a 2007), sua primeira incursão pelo poético-ficcional, é uma obra em que os mais diversos gêneros literários (poema, conto, ensaio etc.) transitam e se fundem. Além disso, é literatura dialogando com outras artes (plásticas e cinematográficas, por exemplo), e pode ser lida sob a perspectiva de certa desassossegada estética do fragmento. Como o fortuito e a incompletude são apreendidos e incorporados em seus processos de escrita?

De maneira fortuita e incompleta. Quero dizer com isso que a resposta já está embutida em sua pergunta. É justamente por não ter um projeto fixo que vou experimentando em várias direções. Ao contrário de outros escritores, os quais quando começam sabem que vão fazer um romance, um livro de contos ou de poemas, nunca sei. Vou simplesmente escrevendo fragmentos, que podem se tornar poemas, histórias curtas, pequenas crônicas, anotações de diário, epigramas etc. Muitas vezes, esses gêneros se misturam num mesmo texto. Raramente isso é calculado, tudo ocorre graças à disposição do momento, com um insight ou alguma emoção, um páthos, que me toma inesperadamente. Depois de algum tempo, que podem ser meses ou anos, vejo o que produzi e aí sim começo a elaborar um projeto de livro a partir das anotações casuais. Porém, antes mesmo que o projeto se materialize, escrevo e reescrevo diariamente aquilo que emerge. Há um trabalho insano para chegar à forma final. Nunca estou satisfeito com o resultado alcançado, e é por isso que logo após terminar um livro sinto vontade de começar outro, para preencher as lacunas do anterior. Escrever, como desenhar, dá muita insatisfação, nunca se tem certeza daquilo que foi feito. Mas há também um enorme prazer em dar o melhor de si e depois aguardar a resposta dos ilustríssimos leitores, que, eles sim, podem completar a obra, a qual não consegui realizar de todo. Creio que quem assina por último não sou eu, mas minhas leitoras e meus leitores. No final de cada volume, deixo algumas reticências virtuais para que me ajudem a completar e finalmente assinar a obra. E esse trabalho digamos coletivo é inteiramente aleatório, depende do acaso da destinação.

Curadoria de João Cezar de Castro Rocha



W. B. Lemos
W. B. Lemos é autor de Rasga-mortalha – poemas dos outros, sua estreia em livro. Antes, publicou o primeiro fragmento de “Memento d’Ângelo”, romance inacabado, na edição número 17 da revista de poesia “Inimigo Rumor” (7Letras/Cosac Naify). É mestre em Literatura Brasileira pela UERJ e doutorando em Literatura Comparada na mesma universidade.



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