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Carta para Rosário

Foto: Sunyu



2020-04-14

Alice Vieira rememora o estado policialesco sob o qual viveu apenas algumas décadas atrás. Partilha as armas de que dispõe para atravessar esse novo período terrível da história e reafirma a importância que se deve dar às pequenas coisas e a tudo, como o "cachecol para um amigo, que está há que tempos por acabar".

A missiva faz parte de Cartas de um outro tempo, projeto que procura captar a sensibilidade de figuras do campo cultural à nova realidade imposta pela pandemia, num mundo vazio visto das nossas janelas. Amanhã leremos a resposta de Rosário Alçada Araújo.

 

Minha querida Rosarinho

Nunca estivemos tão perto (praticamente é só atravessar a rua) e tão longe. A nossa rua, todas as outras ruas são agora um país distante. E mesmo que tenhas passaporte, os polícias não deixam. Às vezes tenho recordações terríveis, de tempos que tu, felizmente, já não conheceste: mais de três pessoas a conversar umas com as outras, era um ajuntamento e a polícia dispersava; a polícia mandava parar os carros para ver o que ia lá dentro; e quando íamos visitar os nossos amigos presos em Peniche ou em Caxias, a despedida era sempre feita com as nossas...

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Alice Vieira

Nasceu em 1943, em Lisboa. É licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa. Iniciou a sua carreira de jornalista aos 18 anos, no Diário de Lisboa. Trabalhou em vários jornais, entre os quais o Diário de Notícias, a cuja redação pertenceu até 1990.  Em 1979 publicou o seu primeiro romance juvenil — Rosa, Minha Irmã Rosa — que nesse ano ganhou o “Prémio de Literatura do Ano Internacional da Criança”. Desde então tem publicado regularmente romances juvenis, poesia, teatro, recolhas de histórias tradicionais, livros infantis. Recebeu o prémio Calouste Gulbenkian em 1983 pelo seu livro Este Rei Que Eu Escolhi; o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da obra (1984); o Prix Octogone pela edição francesa de Os Olhos de Ana Marta (2000); a “Estrela de Prata do Prémio Peter Pan” pela edição sueca de Flor de Mel, e foi várias vezes distinguida com o Prémio Corvo Branco, atribuído pela Biblioteca Internacional da Juventude de Munique.




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