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Ortografia para quem? Tão mais difícil externar as diferenças por escrito. Considero potente e importante a experiência de transcrever a fala. Reveladora, abismal. Mas não transcrever escrevendo, solapando o que há de fala no falado. Transcrever tentando transferir ao papel o que não é da natureza dele. É da ordem do impossível. É da ordem do poético, também. Transcrever uma risada. A escrita tem um quê de normalizadora, talvez achatadora, planificadora, aterradora. O que escrevi em mineirês será lido como queira e como possa um moçambicano ou uma alentejana ou um paraense. Perdeu-se minha pátria na transmissão; ganhou em línguas meu escrito. Do escrito temos outros prazeres.

 

Faz um tempo, a editora desta Revista Pessoa me fez o honroso convite de escrever uma coluna mensal cujo título já estava dado: “Ortografia também é gente”. Não discuti, não a dissuadi, nem me preocupei em tentar outro. A frase já era célebre e só perdia em celebridade para o seu autor, o poeta português Fernando Pessoa – ou Bernardo Soares. Disse ele, no Livro do desassossego, que

 

“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não...

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Ana Elisa Ribeiro

É mineira de Belo Horizonte, onde trabalha e reside. É professora e pesquisadora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, onde atua na área de Linguagem e Tecnologia, em três níveis de ensino. Publicou mais de trinta livros para crianças, adolescentes e adultos, sendo os mais recentes os poemários Álbum (Relicário, 2018) e Dicionário de Imprecisões (Impressões de Minas, 2019). É colunista do Digestivo Cultural e da Revista Pessoa. Fotografada por Sérgio Karam.




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