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Era domingo

Imagem: do acervo do autor



2020-07-10

O Brasil é uma eterna pista de provas. Tudo é possível, tudo já foi possível. Nada mais é possível. Plantando tudo se dá e depois todos morrem. E dessas histórias sobram os rastros.

 

Abóboda craniana

A rua chamava-se Haritoff por causa de Maurice. Nunca soube se era de São Petersburgo ou Moscou, mas veio para o Brasil na segunda metade do século dezenove e casou com a filha de um dos maiores produtores de café do país. O nome da família brasileira não guardei também. Sei que Maurice Haritoff, filho da nobreza russa, angariou algo como 52 fazendas de café no sudeste por conta do casamento. Décadas mais tarde apaixonou-se por uma filha de escravos. Caiu em descrédito na sociedade e morreu sem dinheiro. As fortunas vem e vão. O Brasil é uma eterna...

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Mariano Marovatto

Mariano Marovatto nasceu no dia primeiro de abril de 1982, no Rio de Janeiro. Escreveu livros como Estirâncio (7Letras, 2019), Casa (7Letras, 2015) e Vinte e cinco poemas com Chico Alvim (Luna Parque, 2015), e gravou alguns discos, entre eles: Praia (Maravillha 8, 2013) e Selvagem (Embolacha, 2016). Como pesquisador e arquivista literário, foi responsável, entre outros trabalhos, pela organização do acervo do escritor e compositor Cacaso e pela pesquisa de inéditos e estabelecimento de texto da Poética de Ana Cristina Cesar. Recentemente organizou Os Fantasmas Inquilinos, antologia de poemas de Daniel Jonas (Todavia, 2019) e a versão em português de Silêncio de John Cage (Cobogó, no prelo). Doutor em literatura brasileira pela PUC-Rio, Mariano foi também apresentador e roteirista do programa musical Segue o som na TV Brasil entre 2009 e 2016. Toda a sua produção está disponível aqui




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