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Isabela Figueiredo: para nunca esquecer

foto: Isabela Figueiredo. Do acervo da autora



2020-09-18

O que a voz de Isabela Figueiredo tem a dizer?  Nesse desdobrar do Caderno de memórias coloniais, a necessidade da escrita como um recurso de sobrevivência, como forma de existir, é explícita. A escrita literária se transfigura em arsenal. Traço minha leitura nessa perspectiva da escrita como forma de enfrentar e suportar a vida.

 

Caderno de memórias coloniais (2009) e A gorda (2016), textos que se articulam e dialogam, não se esgotam. Precisam ser lidos e relidos. Cada leitura possibilita uma reflexão que rasga como uma lâmina a consciência e exige um posicionamento. A partir de espaços concretos, A gorda traz metáforas dos lugares da memória em uma construção bem específica, pois cada capítulo leva um título que remete a um cômodo da casa, impondo um movimento de retorno que atua como um pêndulo, para compor uma espécie de micronarrativa com começo, meio e fim abarcando o todo do romance. Encimados por descrições da...

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Tania Antonietti Lopes

Graduação em Letras (Português-Francês), mestrado e Doutorado em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Pós-Doutorado pela Unesp, com bolsa FAPESP. Estudou a obra ficcional de José Saramago, cujo tema desenvolvido diz respeito às formas do insólito. Concluiu, em 2020, pós-doutorado no Programa de Literatura Portuguesa (FFLCH-USP), com pesquisa desenvolvida acerca da escrita literária e pós-memória, na qual estudou temas relacionados aos retornados. Integra o Grupo de Pesquisa Colonialismo e Pós-Colonialismo em Português (FFLCH-USP).




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