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Dez exigências para o reconhecimento da escrita como trabalho

Foto: Curtis Thornton



2020-10-06

Essas exigências visam demandar do aparato do Estado um ponto de apoio, algum amparo, no meio produtivo e circuito de consumo da palavra de modo a possibilitar que escritores e escritoras possam começar a se recusar a trabalhar de graça.

 

Torna-se cada dia mais evidente que a entrada de largos contingentes de pessoas de classe média e baixa nos circuitos de arte oxigenou seus sistemas. Aliás, seus aparelhos sempre se alimentaram daquilo que lhes era “exterior” (em outras palavras, as artes conheceram revoluções tanto mais profundas quanto mais se nutriram dos mananciais simbólicos e formais daqueles que não tinham direito ou acesso aos meios produtivos ou objetos de consumo – o saber-fazer e as obras elas mesmas). Agora que os que não compõem a alta burguesia já não são exceção, mas a regra na produção da arte contemporânea, esse sistema...

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Rafael Zacca

Rafael Zacca é poeta e crítico. É co-articulador da Oficina Experimental de Poesia, no Rio de Janeiro. Doutor em Filosofia na PUC-Rio, onde pesquisou a obra de Walter Benjamin. Colaborador do do Jornal Rascunho e da revista Escamandro. Autor de Kraft | Poemas (2015), Mini Marx (2017), Mega Mao (2018) e de A estreita artéria das coisas (no prelo). É um dos autores do livro de oficinas literárias Almanaque Rebolado, escrito a 20 mãos (2017).

 

 




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