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Com tanto ar à volta



2021-01-26

A leitura de Memórias do Cárcere me remeteu de imediato à Infância. Construímos livros de memórias por um impulso de espécie. Narcísico e pedagógico. A própria história é o que efetivamente nos fundamenta e queremos que outras pessoas aprendam com o que nos aconteceu, com o que fizemos. Com o que pode deixar de ser feito, com o que não deve ser feito de novo, jamais.

  

O pediatra das minhas filhas respondera à minha pergunta sobre bactérias. Avancei, sem saber ao que me expunha, e o vírus? “O vírus zomba do homem” – disse. Fiquei ali, nervo exposto.

A que serviria essa descoberta em meu campo de trabalho? Graciliano Ramos confirmava o que me chegou num vislumbre: escrever é infectar. O corpo sadio vive em silêncio, funcional. Só o corpo que desarranja fala. Grita. Contorce. Arqueja. Sufoca. O horror de morrer sem ar, com tanto ar à volta, é descrito ou mencionado, em janeiro de 2021, por jornalistas, testemunhas. Tem tanto poder um vírus? Move-se com...

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Nilma Lacerda

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, tem publicados ensaios e artigos científicos. Professora da Universidade Federal Fluminense e também tradutora, recebeu vários prêmios por sua obra, dentre os quais o Jabuti, o Prêmio Rio e o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil. No site da revista Pessoa, na Coluna Ladrinhos, Nilma publica quinzenalmente trechos das páginas lusófonas do Diário de navegação da palavra escrita na América Latina. O texto  ganhou talhe ficcional para publicação em Mapas de viagem, volume de contos que é fruto  de um projeto de formação de leitores. Ela também contribui com crônicas sobre o universo literário.




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