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Antígona e os arquivos do luto em Como devo chorá-los

Foto: cemitério. Por Blow up



2021-04-29

Uma lição política sutil. Uma produção de um lugar de escuta. Aquilo que costumamos chamar de paralaxe. Aliás, é esse mecanismo – que substitui o encadeamento do sentido único da sintaxe pelo da paralaxe – é o que explica por que todas as Antígonas da história são uma só, bem como por que um luto é todos os lutos historicamente situados.

 

Duas irmãs se abraçam com as cabeças recostadas sobre os ombros. É um acúmulo de dores: toda a família afundada em desgraça, os irmãos mortos um pelas mãos do outro, e ainda a dor de não poderem enterrar um deles, por decreto tirânico que proíbe os ritos funerários e deixa o corpo descansar a céu aberto. Elas estão no meio dos trilhos, e o trem de Japeri corta, em outra linha, a paisagem ao fundo.

Antígona sobe à Baixada Fluminense e grita. Na sua origem grega, no texto de Sófocles, descobrimos que seu grito pela morte do irmão é tão agudo...

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Rafael Zacca

Rafael Zacca é poeta e crítico. É co-articulador da Oficina Experimental de Poesia, no Rio de Janeiro. Doutor em Filosofia na PUC-Rio, onde pesquisou a obra de Walter Benjamin. Colaborador do do Jornal Rascunho e da revista Escamandro. Autor de Kraft | Poemas (2015), Mini Marx (2017), Mega Mao (2018) e de A estreita artéria das coisas (no prelo). É um dos autores do livro de oficinas literárias Almanaque Rebolado, escrito a 20 mãos (2017).

 

 




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