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Coração a granel



2021-06-03

Um único coração tinham as galinhas, naquele tempo. Eu gostava muito deste único coração, que era guardado para mim. Uma declaração de amor à vista de todos, não sei se meus bons modos agradeciam a ela, se de outras formas dizia do afeto, do que permanecia apesar das intrigas e raivas. Somos tão inconscientes da vida ao redor, no tempo que os anos não trazem mais. No entanto, captamos os sinais e reconheceremos, em tempo hábil, tabuleiro, jogo, peças, movimentos e as perdas de todos.

 

Para Águeda Gonçalves, minha avó, in memoriam 

 

Leio, aqui nesta revista:

“na mesa da casa da vó
sentamos com o inimigo:

[...]
dentro da panela de galinha
um campo de batalha
onde só se ouve o tilintar
até que a neta pegue a titela e o coração...”

 

Sabrinna Alento Mourão me lança em passados, vontades de chamar a avó, imaginar conversas e o corpo carnudo antes de engelhar. Chorar misérias seria fatal. Trocar risos, creio impossível. Umas palavras sobre isso e aquilo, nascer menina em outros tempos, isso é razoável desejar. E desejo. Como desejarei viver o suficiente para ouvir...

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Nilma Lacerda

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, tem publicados ensaios e artigos científicos. Professora da Universidade Federal Fluminense e também tradutora, recebeu vários prêmios por sua obra, dentre os quais o Jabuti, o Prêmio Rio e o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil. No site da revista Pessoa, na Coluna Ladrinhos, Nilma publica quinzenalmente trechos das páginas lusófonas do Diário de navegação da palavra escrita na América Latina. O texto  ganhou talhe ficcional para publicação em Mapas de viagem, volume de contos que é fruto  de um projeto de formação de leitores. Ela também contribui com crônicas sobre o universo literário.




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