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Sempre é sempre junho

Foto: Joshua Newton



2021-06-10

Em junho termina a colheita da safra perdida e vem o recolhimento do espólio, o despertar da hibernação, em que contraditoriamente estivemos mais atentos do que nunca.

 

Era preciso estar o tempo todo
atento, em transe, em trânsito, no assédio
a um ou outro flanco do lobo,

fugindo de junho, perseguindo o agora,
correndo o risco de ser só um rascunho.
Éramos em branco. Por um triz. Por ora.)

Paulo Henriques Britto

 

É junho. Os dias das auroras mais bonitas no Brasil. O mês do tempo na ausência do espaço, o meio do ano. O dono do amarelo desbotado e do azul cinzento; o que se divide entre Outono e Inverno, aqui no hemisfério Sul deste mundo cada vez mais...

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Ewerton Martins Ribeiro

Nasceu em 1981 em Belo Horizonte, Minas Gerais, no Brasil, onde vive. Além de escritor de ficção, é jornalista e servidor da Universidade Federal de Minas Gerais, onde também atua como pesquisador. É mestre (2015) e doutor (2021) em literatura pela Faculdade de Letras da UFMG. Parte da pesquisa de seu doutorado, que resultou em uma tese sobre autoficção que é simultaneamente uma obra de autoficção, foi realizada na Universidade de Coimbra, em Portugal, entre 2018 e 2019, subsidiada por bolsa oferecida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Publicou A Grande Marcha (editoras Circuito e e-galáxia, 2014), novela que tem como pano de fundo os protestos políticos brasileiros de junho de 2013, além de contos em revistas e suplementos literários. Venceu a edição de 2018 do Prêmio Literário Cidade de Manaus na categoria Ensaio sobre literatura.




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