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Tem, mas não há



2022-06-04

 

Portugueses não usam gerúndio, não trocam futuro do pretérito por imperfeito, nem futuro do presente por construções compostas. Sofrem os brasileiros que emigram, como um amigo, italiano de nascimento, vindo aos dois anos para o Brasil e falante, naturalmente, da língua portuguesa. “Aos setenta anos, estou aprendendo português” – confessou, desolado.

Rixa de mãe e filha, autoridade de outrora em confronto com a autonomia de hoje, as duas mátrias mantêm implicâncias mútuas. Para mim, isso só enriquece o(s) idioma(s). Nas vezes em que lá estive, não me lembro de ter experimentado qualquer constrangimento ou surpresa em relação ao português falado. Sou...

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Nilma Lacerda

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, tem publicados ensaios e artigos científicos. Professora da Universidade Federal Fluminense e também tradutora, recebeu vários prêmios por sua obra, dentre os quais o Jabuti, o Prêmio Rio e o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil. No site da revista Pessoa, na Coluna Ladrinhos, Nilma publica quinzenalmente trechos das páginas lusófonas do Diário de navegação da palavra escrita na América Latina. O texto  ganhou talhe ficcional para publicação em Mapas de viagem, volume de contos que é fruto  de um projeto de formação de leitores. Ela também contribui com crônicas sobre o universo literário.




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