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Publicada a Obra Completa do Padre António Vieira, com mais de 15.000 páginas



2014-12-05

A Obra Completa do Padre António Vieira, num total de 15.000 páginas, que começou a ser publicada em abril de 2013 e terminou no último dia 3 de novembro pela editora Círculo de de Leitores, foi considerada pelo historiador José Eduardo Franco, um dos seus coordenadores, “o maior projeto da história editorial portuguesa”. O historiador realçou que, “destas 15.000 páginas, cerca de um quarto são de inéditos ou textos parcialmente inéditos, nomeadamente teatro e poesia, da autoria de Vieira, que até os investigadores desconheciam”.

José Eduardo Franco coordenou a edição com Pedro Calafate, e afirmou que o jesuíta, que viveu entre 1608 e 1697, pode ser hoje visto como um “autor anticrise”. “As soluções que ele apresentou para o país, os escritos dele sobre a nossa mentalidade e os nossos políticos [permitem] dizer que ele é um autor, uma figura histórica anticrise”, afirmou José Eduardo Franco, que acrescentou que Vieira “ainda hoje nos ensina a bem falar, bem escrever e bem comunicar a Língua Portuguesa”.

Entre os títulos publicados, encontra-se “a obra magna de Vieira, que morreu quando a escrevia, que se intitula ‘A Chave dos Profetas’, que corresponde a dois volumes”, destacou Franco. Os trinta volumes, divididos em quatro tomos, contaram com a colaboração de 52 investigadores de Portugal e do Brasil, segundo cifra adiantada pela editora.

O historiador destacou a coragem, o “lado frontal” de Vieira e como este “enfrentou os homens do seu tempo”. “Ele tem aquilo que eu chamo uma espécie de patrimônio de crítica social e política, que ainda é pertinente para os dias de hoje”, disse o historiador que lembrou como o sacerdote, nascido junto à Sé de Lisboa, lutou contra as desigualdades sociais, a opressão do trabalho escravo, criticou a existência de cidadãos de primeira e de segunda, referindo-se ao que na época catalogava como “cristãos-velhos” e “cristãos-novos”, e “criticou as estruturas dominantes de corrupção, por exemplo no sermão do bom ladrão”.



Revista Pessoa
 



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